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Monteiro Lobato
42 quotes
“De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo.”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“Erro pensar que é a ciência que mata uma religião. Só pode com ela outra religião.”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“Eu me acho capaz de escrever para os Estados Unidos por causa do meu pendor para escrever para crianças. Acho o americano sadiamente infantil.”
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“Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira — mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo.”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“O livro é uma mercadoria como outra qualquer; não há diferença entre o livro e um artigo de alimentação. (...) Se o livro não vende é porque ele não presta".”
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“Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos.”
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“Quem morre pelo seu país vive eternamente.”
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“... Ao terminar a leitura, o leitor corre à janela para ver se ainda há céu no mundo e ar (..)." Areias, 1907”
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“...Quero contos que o leitor possa resumir e contar ao amigo e (...) interesse ao amigo (...)" Areias, 27.06.1909”
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“...nossa crise monetária de vocábulos (...) Não há livros, Rangel!!! Nós precisamos entupir este país com uma chuva de livros (...)" Caçapava, 16.01.1915”
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“... livro pão (...) Quem souber ler, lê o livro e depois o come; quem não souber, come apenas sem ler. Desse modo, o livro pode penetrar em todas as casas...”
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“...A tradução literal, isto é, de absoluta fidelidade à forma literária em que, dentro de sua língua, o autor expressou o seu pensamento, trai e mata a obra traduzida. O bom tradutor deve dizer (...) a mesma coisa (...) mas dentro da língua do tradutor (...) só assim estará realmente traduzindo o que importa: a ideia, o pensamento do autor. Quem procura traduzir a forma (...) não faz tradução. Faz uma coisa horrível chamada transliteração (...) ininteligível...”
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“Os gramáticos não são donos da língua, e esta não é uma criação lógica.”
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“... Revoltado contra os acentos acadêmicos, usei do meu prestígio na Editora Nacional para uma guerra à excrescência e consegui que a empresa editasse centenas de milhares de livros com a 'desacentuação' exemplificada no livro que remeto como amostra (...)" SP, 05.12.1937.”
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“... Senhor Deputado Federal (...) Outro encanto que acho em V. está na língua — sólida, descente, escorreita, sem os clássicos vícios nacionais. Defeito único: aceitação dos infames acentos da infame reforma ortográfica promovida pelo infame Capanema — ministro da imbecilização desde infame Estado Novo (...)" SP, 12.04.1944.”
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“... é inútil andares ajuntando e mandando opiniões sobre minha literatura.Não dou valor a essas reações, nem as procuro. Escrevo porque tenho de escrever, porque sou forçado a escrever, para dar vazão ao pus dum furúnculo scribendi de incurável intermitência — não para conquistar nome, glória, o que seja (...)" fazenda Buquira, 07.12.1916”
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“...antropocentrismo (...) Somos pequeninos centros que vão todos os raios do universo (...)" SP, 28.12.1917”
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“... O segredo do livro é este: interpretar fielmente um sentimento vago, indefinível, mas geral (...)" SP, 03.10.1918”
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“... Com petróleo e ferro. o homem se multiplica por mil. Com o livro, ele se torna um Homem!...”
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“... Nós brasileiros não temos certeza de nosso futuro, de uma sobrevivência como povo. Assistimo-nos morrer. A cada dia, deperece mais um bocado. Aparentemente, esse decair é insensível (...) Mas um secreto mal-estar nos avisa disso. Daí a tristeza indefinível de todos neste país (...) acentuar-se cada vez mais a vitória do estrangeiro (...)" SP, 03.10.1918”
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“... Ontem fui à exposição industrial e saí entenebrecido. Dois expositores brasileiros! Dois só! O que o português fez com o aborígene, hoje o fazem os nossos adventícios com os descendentes dos portugueses. Alijam-nos de dentro de nossa própria casa — com o auxílio de (...) governantes inconscientes (...)" SP, 03.10.1918”
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“... Recordando minha vida colegial vejo quão pouco os mestres contribuíram para a formação do meu espírito. No entanto, a Julio Verne todo um mundo de coisas eu devo! E a Robinson? Falaram-me à imaginação, despertaram-me a curiosidade — e o resto se fez por si (...) A inteligência só entra a funcionar com prazer, eficientemente, quando a imaginação lhe serve de guia.”
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“A bagagem de Julio Verne, amontoada na memória, faz nascer o desejo do estudo. Suportamos e compreendemos o abstrato só quando já existe material concreto na memória. Mas pegar uma pobre criança e pô-la a decorar nomes de rios, cidades, golfos, mares, como se faz hoje, sem intermédio da imaginação, chega a ser criminoso. No entanto, é o que se faz! (...) A arte abrindo caminho à ciência: quando compreenderão os professores que o segredo de tudo está aqui? ...”
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“Eu adoro Emília e, ao escrever os livros nesta máquina, sou o primeiro que me rio das coisinhas que ela diz.”
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“Quem escreve um livro cria um castelo, quem o lê mora nele".”
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“No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma." Velha praga”
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“O que a sua cabeça pensou ninguém o saberá jamais. Têm as idéias para escondê-las a caixa craniana, o couro cabeludo, a grenha: isso por cima; pela frente têm a mentira do olhar e a hipocrisia da boca. Assim entrincheiradas, elas, já de si imateriais, ficam inexpugnáveis à argúcia alheia. E vai nisso a pouca felicidade existente neste mundo sublunar. Fosse possível ler nos cérebros claros como se lê no papel e a humanidade crispar-se-ia de horror ante si própria...". Pollice verso”
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“Progresso amigo, tu és cômodo, és delicioso, mas feio..." Os faroleiros”
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“O grau de cultura de um país mede-se pelo preço dos seus livros”
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“Se quer viver feliz na América, não se mostre duro com os cães – nem desrespeitoso para com a americana. São dois dogmas muito sérios." – p. 23.”
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“Um país se faz com homens e livros. Minha visita aos monumentos de George Washington e Lincoln provou-me que a América tinha homens. Ter homens, para um país, é ter Washingtons e Lincolns, forças tão marcantes que sobre sua obra não pode a morte." – p. 45.”
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“Muitas vezes no Brasil ouvi da boca de seus patrícios que Deus é brasileiro, disse Mr. Slang, como se estivesse adivinhando os meus pensamentos. Ao americano jamais ocorreu inventar coisa parecida; no entanto, a verdade me parece ser Deus escandalosamente americano – se não de nascimento, pelo menos naturalizado. Não existe território no mundo mais rico que este – e esta é a razão do surto prodigioso da América". – pp. 64-5.”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“Tem muita filosofia a cauda americana. Mostra o grau de disciplina a que chegou o povo, mostra a aceitação instintiva da forma que melhor atende ao fim coletivo: entrar sem tumulto e na ordem de direito. O instinto de conservação a criou. Sem ela a América, este monstruoso formigueiro humano, não poderia funcionar. Esperar a sua vez, ocupar o seu lugar – como isto que parece fácil é difícil num país latino!" – pp. 117-8.”
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“Eu era agregado na fazenda do taqual. O coronel me deu lá uma grota fiz minha casinha, derrubei mato plantei milho e feijão.”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis, mas assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas.”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“Malba Tahan: "O Homem que Calculava" já me encantou duas vezes e ocupa lugar de honra entre os livros que conservo. Falta nele um problema — o cálculo da soma de engenho necessário para a transformação do deserto da abstração matemática em tão repousante oásis. Só Malba Tahan faria obra assim, encarnação que ele é da sabedoria oriental — obra alta, das mais altas, e só necessita de um país que devidamente a admire; obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio "ciência-imaginação". Que Allah nunca cesse de chover sobre Malba Tahan a luz que reserva para os eleitos".”
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“... E há a Espécie, Rangel! Somos forçados a ter muita consideração para com a Espécie. Que seria da Espécie se não fosse nós, indivíduos? Por força de razões misteriosas, a espécie nos impõe esposa e prole. Emprega o Amor como um visgo de passarinho e, uma vez fisgados, temos de proliferar, porque (...) elas fazem parte do Serviço de Agentes Secretos da Espécie. São encarregadas de arrancar do homem as misteriosas sementinhas hereditárias. E (...) portanto, nada de resistir a essas obscuras injunções. Já que a Mais Obscura das Injunções nos manda casar, é casar. Casar p'r'ali, como casou o avô, o bisavô, o tataravô e o macaco inicial (...)" Areias, 15.05.1907”
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“... Ando com ideias dumas coisas Wells, em que entrem imaginação, fantasia e vislumbres do futuro — não o futuro próximo de Julio Verne, futurinho de 50 anos, mas um futuro de mil anos. Vou semear agora essas ideias e deixá-las se desenvolver livremente por dez ou vinte anos — e então limito-me a fazer colheita, caso a plantação subsista até lá. Se a terra dos meus canteiros mentais não for propícia a essas sementinhas, então é que não estou destinado a ser o 'H. G. Wells de Taubaté' e, paciência. Ou dou um dia coisa que preste e esborrache o indígena, ou não dou coisa nenhuma (...)" Taubaté, 17.12.1905”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“... Felizmente estou com 62 anos e breve morro e fico livre de tudo — desta terra, destes governos, da luta armada e da futura paz, que você vai ver, sairá uma porcaria tão grande como foi a de depois de 1918. O Homo Sapiens faliu. Estou com Wells naquele livro que traduzi com o título de O Destino do Homo Sapiens. Esse macaco glabro vai falir no governo do mundo. Destruir-se-á totalmente nas guerras futuras — e a mais bicharia ficará livre da peste. Teremos então outro 'rei dos animais'. Que bicho será? Voto no besouro. Acho o besouro singularmente bem apetrechado para a dominação do mundo. É um safadinho que usa 'asas dobráveis e guardáveis' (...) aperfeiçoamento que não vemos em nenhuma outra espécie animal (...)"SP, 18.11.1944”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“(...) acha (...) insultante para o Brasil que a velhinha conte aos netos o que essa estrada realmente é. Mas haverá quem no Brasil ignore que a Central ocupa o primeiro lugar entre todas as estradas do mundo em matéria de desastres? (...) Que a rubrica 'desastre da Central' se tornou permanente nos jornais? Dona Benta disse aos seus netos a verdade pura, e uma verdade de conhecimento do mundo inteiro. Não há nenhum insulto ao Brasil o fato de uma vovó contar aos netos o que é verdade e todos os adultos sabem (...) Não será mentindo às crianças que consertaremos as coisas tortas (...) 'Habituamo-nos (...) de tal modo ao regime da mentira convencional que a verdade nos dói e causa indignação ao 'patriota'. Temos (...) deveres para com o futuro. Já que não soubemos ou não pudemos consertar as coisas tortas herdadas, tenhamos ao menos a hombridade de não iludir nossos filhos'...”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source
“Inda há de surgir o Nietzche americano que ponha em filosofia e imponha ao mundo, como dogma novo, a impetuosidade alegre dos grandes Vândalos que estão a criar o mundo de amanhã. Que divinize como a coisa mais grata ao nosso instinto fundamental o murro de martelo-pilão com que um Tunney mete por terra um Dempsey. Que divinize a audácia de arrancar as catedrais à mística religiosa para dá-las, multiplicadas em ímpeto ascensor, ao comércio, ao cinema, ao rádio. Que divinize o 'mais, mais, mais' que não se perde em refletir à grega: 'sim, mas mais até onde?' Que realize a supressão da palavra 'até'. O 'até' limita, e por que limitar?" – pp. 122-3.”
Monteiro Lobato (1882–1948) said by 1948 at the latest wikiquote:pt, CC BY-SA 4.0 source