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Luís de Camões
65 quotes
“Sabei que, segundo o amor tiverdes, Tereis o entendimento de meus versos.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: As translated by Landeg White in The Collected Lyric Poems of Luis de Camoes (2016), p. 25
“Sonnet in full:”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Richard Zenith, Sonnets and Other Poems (2009)
“Eu cantarei de amor tão docemente, Por uns termos em si tão concertados, Que dois mil acidentes namorados Faça sentir ao peito que não sente.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Selected Sonnets: A Bilingual Edition (2008), ed. William Baer, p. 128
“Porém, pera cantar de vosso gesto A composição alta e milagrosa Aqui falta saber, engenho e arte.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: The Collected Lyric Poems of Luis de Camoes (2016), trans. Landeg White, p. 25
“[Ah o amor...] que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei porquê.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Poets of Portugal (2006), p. 141
“Amor é um fogo qu'arde sem se ver, É ferida que dói, e não se sente, É um contentamento descontente, É dor que desatina sem doer.É um não querer mais que bem querer, É um andar solitário entre a gente, É nunca contentar-se de contente, É um cuidar que ganha em se perder.É querer estar preso por vontade, É servir a quem vence o vencedor É ter com quem nos mata lealdade.Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia o pai, servia a ela, E a ela só por prémio pretendia.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Mais servira, se não fora Para tão longo amor tão curta a vida.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Aquela triste e leda madrugada, Cheia toda de mágoa e de piedade, Enquanto houver no mundo saudade, Quero que seja sempre celebrada.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Ela viu as palavras magoadas, Que puderam tornar o fogo frio, E dar descanso as almas condenadas.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Quem vê, Senhora, claro e manifesto o lindo ser de vossos olhos belos, se não perder a vista só em vê-los, já não paga o que deve a vosso gesto.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Porque é tamanha bem-aventurança o dar-vos quanto tenho e quanto posso, quanto mais vos pago, mais vos devo.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Quoted by Elizabeth Bishop in the dedication of Questions of Travel (1965) to Lota de Macedo Soares, her Brazilian lover.
“Ah! minha Dinamene! Assim deixaste Quem não deixara nunca de querer-te! Ah! Ninfa minha, já não posso ver-te, Tão asinha esta vida desprezaste!Como já pera sempre te apartaste De quem tão longe estava de perder-te? Puderam estas ondas defender-te Que não visses quem tanto magoaste?Nem falar-te somente a dura Morte Me deixou, que tão cedo o negro manto Em teus olhos deitado consentiste!Oh mar! oh céu! oh minha escura sorte! Que pena sentirei que valha tanto, Que inda tenha por pouco viver triste?”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Also quoted by: Luís Vaz de Camões (pt)
“Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida descontente, Repousa lá no Céu eternamente, E viva eu cá na terra sempre triste.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: tr. John James Aubertin, in Seventy Sonnets of Camoens (1881), p. 17
“Transforma-se o amador na cousa amada, Por virtude do muito imaginar; Não tenho, logo, mais que desejar, Pois em mim tenho a parte desejada.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“«Que levas, cruel Morte?» «Um claro dia». «A que horas o tomaste?» «Amanhecendo». «Entendes o que levas?» «Não o entendo». «Pois quem to faz levar?» «Quem o entendia».”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Selected Sonnets: A Bilingual Edition (2008), ed. William Baer, p. 70
Also quoted by: Luís Vaz de Camões (pt)
“Erros meus, má fortuna, amor ardente Em minha perdição se conjuraram.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Selected Sonnets: A Bilingual Edition (2008), ed. William Baer, p. 99
“Perdigão perdeu a pena Não há mal que lhe não venha.Perdigão que o pensamento Subiu a um alto lugar, Perde a pena do voar, Ganha a pena do tormento. Não tem no ar nem no vento Asas com que se sustenha: Não há mal que lhe não venha.Quis voar a üa alta torre, Mas achou-se desasado; E, vendo-se depenado, De puro penado morre. Se a queixumes se socorre, Lança no fogo mais lenha: Não há mal que lhe não venha.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Perdigão que o pensamento", tr. Landeg White in The Collected Lyric Poems of Luis de Camoes (2016), p. 251
“Nem no campo flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Os bons vi sempre passar No mundo graves tormentos; E para mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Esparsa ao Desconcerto do Mundo", translation from Luís de Camões and the Epic of the Lusiads (1962) by Henry Hersch Hart, p. 111
Also quoted by: Luís Vaz de Camões (pt)
“Já me desenganei que de queixar-me não se alcança remédio; mas, quem pena, forçado lhe é gritar, se a dor é grande. Gritarei; mas é débil e pequena a voz para poder desabafar-me, porque nem com gritar a dor se abrande.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Vinde cá, meu tão certo secretário", trans. by Landeg White in The Collected Lyric Poems of Luis de Camoes (2016), p. 297
“Nem eu delicadezas vou cantando Co'o gosto do louvor, mas explicando Puras verdades já por mim passadas. Oxalá foram fábulas sonhadas!”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Vinde cá, meu tão certo secretário", trans. by Landeg White in The Collected Lyric Poems of Luis de Camoes (2016), p. 303
“Foge-me pouco a pouco a curta vida (se por caso é verdade que inda vivo); vai-se-me o breve tempo d'ante os olhos; choro pelo passado e quando falo, se me passam os dias passo e passo, vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Foge-me pouco a pouco a curta vida", tr. Landeg White in The Collected Lyric Poems of Luis de Camoes (2016), p. 330
“As armas e os Barões assinalados Que da Ocidental praia Lusitana Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Stanza 1 (as translated by William Julius Mickle, 1776)
“Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: Stanza 2, lines 7–8 (tr. Richard Fanshawe, 1655)
“Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Also quoted by: Luís Vaz de Camões (pt)
“E vós, Tágides minhas, pois criado Tendes em mi um novo engenho ardente, Se sempre em verso humilde celebrado Foi de mi vosso rio alegremente, Dai-me agora um som alto e sublimado, Um estilo grandíloco e corrente, Por que de vossas águas Febo ordene Que não tenham enveja às de Hipocrene.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Recorded in: John Denham, Cooper's Hill (1642), lines 189–192-->
“Já no largo Oceano navegavam...”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Da Lua os claros raios rutilavam...”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“É fraqueza entre ovelhas ser leão.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Also quoted by: Luís Vaz de Camões (pt)
“Ó grandes e gravíssimos perigos! Ó caminho de vida nunca certo!”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Onde pode acolher-se um fraco humano, Onde terá segura a curta vida, Que não se arme, e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno?”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Quem poderá do mal aparelhado Livrar-se sem perigo sabiamente, Se lá de cima a Guarda soberana Não acudir à fraca força humana?”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Eis aqui, quase cume da cabeça De Europa toda, o Reino Lusitano, Onde a terra se acaba e o mar começa.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Esta é a ditosa pátria minha amada.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“O caso triste, e dino da memória, Que do sepulcro os homens desenterra, Aconteceu da mísera e mesquinha Que depois de ser morta foi Rainha.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Tu só, tu, puro Amor...”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Contra uma dama, ó peitos carniceiros, Feros vos amostrais, e cavaleiros?”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Also quoted by: Luís Vaz de Camões (pt)
“Assim como a bonina, que cortada Antes do tempo foi, cândida e bela, Sendo das mãos lascivas maltratada Da menina que a trouxe na capela, O cheiro traz perdido e a cor murchada: Tal está morta a pálida donzela, Secas do rosto as rosas, e perdida A branca e viva cor, co'a doce vida.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
Also quoted by: Luís Vaz de Camões (pt)
“Um fraco Rei faz fraca a forte gente.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Ó Rei subido, Aventurar-me a ferro, a fogo, a neve É tão pouco por vós, que mais me pena Ser esta vida cousa tão pequena.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Certifico-te, ó Rei, que se contemplo Como fui destas praias apartado, Cheio dentro de dúvida e receio, Que apenas nos meus olhos ponho o freio.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Mas um velho d'aspeito venerando, Que ficava nas praias, entre a gente, Postos em nós os olhos, meneando Três vezes a cabeça, descontente, A voz pesada um pouco alevantando, Que nós no mar ouvimos claramente, C'um saber só de experiências feito, Tais palavras tirou do experto peito:Ó glória de mandar! Ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama!thumb|O glory of commanding! O vain thirst Of that same empty nothing we call fame!”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Já que nesta gostosa vaidade Tanto enlevas a leve fantasia, Já que à bruta crueza e feridade Puseste nome esforço e valentia, Já que prezas em tanta quantidade O desprezo da vida, que devia De ser sempre estimada...”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Ó que não sei de nojo como o conte! Que, crendo ter nos braços quem amava, Abraçado me achei com um duro monte De áspero mato e de espessura brava. Estando com um penedo fronte a fronte, Que eu pelo rosto angélico apertava Não fiquei homem não, mas mudo e quedo, E junto dum penedo outro penedo.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Assim contava, e com um medonho choro Súbito diante os olhos se apartou; Desfez-se a nuvem negra, e com um sonoro Bramido muito longe o mar soou.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Quão doce é o louvor e a justa glória Dos próprios feitos, quando são soados! Qualquer nobre trabalha que em memória Vença ou iguale os grandes já passados. As invejas da ilustre e alheia história Fazem mil vezes feitos sublimados. Quem valerosas obras exercita, Louvor alheio muito o esperta e incita.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Sem vergonha o não digo, que a razão De algum não ser por versos excelente, É não se ver prezado o verso e rima, Porque quem não sabe arte, não na estima.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source
“Vistes que, com grandíssima ousadia, Foram já cometer o Céu supremo; Vistes aquela insana fantasia De tentarem o mar com vela e remo; Vistes, e ainda vemos cada dia, Soberbas e insolências tais, que temo Que do Mar e do Céu, em poucos anos, Venham Deuses a ser, e nós, humanos.”
Luís de Camões (1524–1580) said by 1580 at the latest wikiquote, CC BY-SA 4.0 source